Master of None e o Momento Certo

Master of None e o Momento Certo

Geralmente as pessoas tendem a gostar das coisas com as quais se identificam. Master of None é uma ótima série, consegue abordar vários temas sociais como feminismo, assédio, imigração, racismo enquanto nos apresenta personagens criveis e com profundidade. Não me marcou igual Doctor Who que me deixou triste pela morte de um amigo e nem como How I Met Your Mother com a solidão após o fim daquelas amizades.

Assisti Master of None no momento certo. Por tratar de vários temas,  muita gente se identifica, no meu caso  foram os dois últimos episódios da segunda temporada, aqueles sim me pegaram.

SPOILERS A PARTIR DESSE PONTO

Ao longo da segunda temporada o Dev vai se apaixonando por uma pessoa, o problema é que essa pessoa viveu mais de 10 anos com o mesmo cara e acaba ficando noiva . No início saiam juntos, como amigos, até que aconteceu a Teoria da Sereia de How I Met Your Mother. A teoria diz que não importa o qual o nível de beleza da mulher, mas uma hora você começa a gostar dela, é aí que ela se transforma de um leão marinho para uma sereia, mas esse nem é o ponto.

No quinto episódio da segunda temporada o relacionamento entre essas duas pessoas começa a ser desenvolvido e fica claro, existe um clima entre os dois, mas Dev não faz nada, em respeito a toda essa situação na vida de Francesca, com isso temos uma cena de 3 minutos apenas vendo o Dev sentado no banco de trás de um carro e através das expressões corporais e faciais, percebe-se que ele se arrependeu de não ter feito nada.

Apenas no nono episódio que essa trama é retomada. Já existe um sentimento pelo lado de Dev, o episódio termina com Dev dizendo o que sente e Francesca dizendo que sente o mesmo, mas que a situação é complicada e ela precisa pensar.

Essa foi a situação com a qual me identifiquei. Gosto de uma pessoa, quando estamos juntos os momentos são maravilhosos e sei que ela gosta de mim, mas infelizmente essa pessoa tem um namorado. É uma situação fora do meu controle, simplesmente não posso fazer nada, dependo de outra pessoa para que eu possa ser feliz tendo alguém do meu lado. É uma situação muito merda.

A melhor solução seria esquecer totalmente e tentar excluir essa pessoa da minha vida o quanto antes para o sofrimento ser menor, mas estou fazendo o contrário, cada vez mais essa pessoa faz parte da minha vida, isso vai ser um problema.

O final da segunda temporada é ambíguo, em um momento temos Francesca com as malas prontas para ir embora para a Itália com seu noivo até que corta para ela deitada ao lado de Dev, sem a aliança. Não dá para saber se aquilo realmente aconteceu, ou se é um sonho, visão ou alguma coisa do tipo. A única certeza que tenho é que não tenho certeza de nada. Tanto a minha história quanto a história de Dev não acabou, apenas com mais tempo e com mais uma temporada poderemos ter certeza do que aconteceu.

A arte imita a vida e a vida imita a arte.

Provavelmente esse foi o exemplo mais claro da minha vida até agora. Acho estranho a série ter representado uma situação tão parecida com o momento atual da minha vida, talvez se tivesse visto a série mais tarde, não teria esse mesmo impacto, mas me faria lembrar desse momento. Não é à toa que de tantos temas que a série aborda, preferi pegar uma coisa extremamente pessoal para comentar.

Agora entendo porque o Rhafael estava desesperado dizendo para assistir a série e só para deixar claro, não vi por conta da recomendação dele (o mesmo ficou se gabando no Twitter).

Uma pessoa que se auto declara nerd, mas que nunca assistiu Star Trek, nem leu Guia do Mochileiro Das Galáxias, nem jogou Ocarina of Time, nem assistiu Dragonball, nem leu Sandman, nem Harry Potter. Mas sabe o que eu tenho? Vontade de ver/assistir/ler isso tudo, vontade!

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